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Entenda

Por que meu carro carrega mais devagar que o outro no mesmo carregador

Dois carros no mesmo eletroposto de 80 kW, tempos completamente diferentes. A explicação é o limitador interno do veículo e a curva de carga — não o carregador.

4 min de leitura Spark Eletropostos

Cena real no nosso eletroposto: dois carros plugados lado a lado, mesmo totem, mesma potência disponível. Um sai em 30 minutos, o outro leva quase uma hora. O dono do segundo pergunta se o carregador está com defeito.

Quase nunca está. Quem controla a velocidade da recarga é o carro, não o carregador.

Dois carros elétricos carregando ao mesmo tempo no eletroposto Spark em Itu
Mesmo carregador, mesma potência disponível, tempos diferentes.

O carregador oferece, o carro decide

Um eletroposto de 80 kW não "empurra" 80 kW para dentro do carro. Ele oferece até 80 kW. Quem diz quanto vai aceitar, a cada segundo, é o BMS — o computador que gerencia a bateria do veículo.

O BMS considera três coisas ao definir esse número:

  1. O teto do próprio carro. Cada modelo tem um limite de projeto.
  2. O quanto a bateria já está cheia. Quanto mais cheia, mais devagar.
  3. A temperatura da bateria. Fria demais ou quente demais, ele reduz.

Fator 1: o teto do modelo

Esse é o que explica a maior parte das diferenças. Alguns exemplos de carros vendidos no Brasil:

ModeloAceita no máximoNo nosso carregador de 80 kW
Renault Kwid E-Tech30 kWLimitado pelo carro
Chevrolet Spark EUV50 kWLimitado pelo carro
BYD Dolphin Mini60 kWLimitado pelo carro
GWM Ora 0364 kWLimitado pelo carro
BYD Yuan Plus / Atto 388 kWLimitado pelo carregador
BYD Seal150 kWLimitado pelo carregador
Tesla Model Y175 kWLimitado pelo carregador

Repare no que isso significa: um Kwid num carregador de 350 kW continua carregando a 30 kW. O totem não muda nada. Se o seu carro tem teto de 30 kW, ele é um carro de 30 kW em qualquer lugar do mundo.

E o contrário também vale: do Yuan Plus para cima, todos entregam o mesmo desempenho no nosso ponto, porque o limite passa a ser o carregador de 80 kW.

Fator 2: a curva de carga

Bateria não enche como um balde, em ritmo constante. Ela enche como um estádio esvaziando pela porta: no começo sai muita gente rápido, no fim vira fila.

Na prática:

Por isso a indústria fala sempre em "10 a 80%" e não em "0 a 100%". Os últimos 20% podem levar quase tanto tempo quanto os 60% anteriores.

Um exemplo com números do nosso carregador, para um carro de bateria grande:

TrechoTempo aproximado
20% → 80%cerca de 45 minutos
80% → 100%cerca de 40 minutos

O segundo trecho entrega um terço da energia do primeiro e leva quase o mesmo tempo. É por isso que a recomendação geral é desplugar em 80% e seguir viagem.

Fator 3: a temperatura

Bateria de íon-lítio odeia frio. Abaixo de uns 10 °C, o BMS reduz bastante a potência para proteger as células — em alguns modelos, pela metade.

Isso aparece de manhã cedo no inverno, quando o carro passou a noite na rua. Depois de rodar 20 ou 30 minutos, a bateria esquenta e a recarga acelera.

Alguns carros têm pré-condicionamento: se você programa o eletroposto no navegador do carro, ele aquece a bateria no caminho e chega pronto para receber carga rápida. Vale conferir se o seu tem.

Como saber o tempo do seu carro

Fizemos uma calculadora de recarga com mais de 70 modelos vendidos no Brasil. Ela usa a capacidade real da bateria, o teto de potência do modelo e trata separadamente o trecho acima de 80% — que é onde as contas simples erram feio.

Meu carro carregando a 45 kW num carregador de 80 kW é defeito?

Provavelmente não. Confira o teto do seu modelo e o nível da bateria. Se está acima de 70%, a queda é esperada. Se está com bateria baixa, bateria em temperatura normal e mesmo assim muito abaixo do teto do modelo, aí vale chamar o suporte para checarmos o equipamento.

Vale a pena esperar até 100%?

Só se você realmente precisa da autonomia total para o próximo trecho. Em tempo por quilômetro rodado, os últimos 20% são de longe a parte mais cara da sua parada.

Carregar rápido estraga a bateria?

O uso ocasional de recarga rápida tem impacto pequeno e é para isso que o carro foi projetado. Os fabricantes recomendam usar AC no dia a dia e DC em viagem ou quando precisa de velocidade — que é exatamente o caso de quem para num eletroposto.

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